sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Consciência Negra

O povo é como o sol! Da treva escura
rompe um dia co'a  dextra iluminada
como o Lázaro, estala a sepultura!...
Oh! temei-os da turba esfarrapada,
que salva o berço à geração futura,
que vinga a  campa à geração passada.
  (O Sol e o Povo - Castro Alves, 1847-1871)


Tu é o louco da imortal loucura.
O louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tua'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco.

Na natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!
(O Assinalado - João da Cruz e Souza, 1861-1898) 




sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Avaliação

Parabenizo o excelente nível de discussão e argumentação estabelecido pelas alunas do quarto ano do curso de Magistério, nas duas últimas aulas desta sexta-feira, no período noturno, com a  atividade de "Júri Simulado" sobre a avaliação, tendo como texto base, para fundamentação, o capítulo "Avaliação da Aprendizagem Escolar: um ato amoroso" do livro de Luckesi (Avaliação da Aprendizagem Escolar). Conseguiram explicitar a  avaliação enquanto diagnóstico e processo para aprendizagem, diferente do julgamento, somente classificatório, excludente, meritocrático, elitizante. Apontaram  as inúmeras possibilidades de aprendizagem através da avaliação enquanto compromisso  (por isto ato amoroso!) do professor com a aprendizagem de todos os seus alunos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Moralidade


    Existe "lição de moral"?

  Em Psicologia da Educação, sim! Se estudarmos Freud, Piaget, Kolhberg, Selman  veremos estágios desse desenvolvimento... Se revermos Wygotsky, mesmo não definindo estágios universais, há artigos específicos por ele escritos sobre este tema tão essencial na educação.  Sem esquecermos de Wallon e o desenvolvimento  social, cognitivo e afetivo da criança.

  Se sentimos   nossa realidade social às voltas com a falta de ética e  a problemática  da marginalidade, certamente é uma sociedade extremamente falha e rudimentar em suas ações morais como um todo, além de impunemente injusta. A "normalidade" de certos comportamentos, por parte até daqueles que deveriam ser os primeiros a agirem de acordo com valores morais universais e com uma consciência de "alto nível" , exemplifica  a visão de muitos de que "se dar bem, a qualquer custo", só não "se dá"   quem é  "anta e infantilóide". 
   Então, estamos insistindo com o conteúdo desenvolvimento humano e moral com nossas alunas de terceiro e quarto Magistério. Entendemos que a escola também é responsável e influencia na formação de seres humanos "mais morais", bem moralistas (desconstruindo e reconstruindo o significado  desta palavra), de consciência sensível porque capazes de pensar e sentir seus próprios atos em estreita ligação com o universo ao seu redor. Podem até falhar, mas não  à revelia de ações com intenções  corretas e honestas do ponto de vista do bem comum e respeito à vida como bem   mais precioso que existe. Porque honrar princípios morais  não é "santidade"  ou exibicionismo , é  a prática que se faz  sem necessidade de publicidade.

sábado, 24 de outubro de 2009

Seu Cérebro é Masculino ou Feminino?

Publicado na revista Época "O cérebro humano pode ser feminino ou
masculino independentemente do sexo biológico de uma pessoa.



http://www.sedentario.org/videos/seu-cerebro-e-gay-14325


P.s: Obrigada pela dica, Beta! 

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Apresentações Teatrais

        Parabenizo as estagiárias da terceira série do curso de Magistério/09 pelas lindas apresentações teatrais realizadas na manhã e tarde de hoje como  colaboração nas comemorações da "Semana da Criança" organizadas pela direção, supervisora escolar e professoras das Séries Iniciais da E.E.B Paulo Blasi.
             As jovens Aline Kominkiewicz, Aline Araújo de Matos,Carolina Aparecida Ferreira, Daniela da Silva Lesse, Franciele Dionísio, Laura Regiane da Rosa Ribeiro, Renata de Lima, Suele Priscila da Rosa Ribeiro e Talize Picinin Bittencourt  brilhantemente apresentaram a historinha infantil "Assembléia dos Ratos". Pude comprovar o empenho (como professora que planeja e acompanha as atividades de Estágio Curricular) desde o ensaio, preparação de figurinos pensados por estas futuras professoras, além dos objetos necessários à composição das cenas.
            A segunda apresentação teatral seguiu o roteiro escrito por mim, em 1997, juntamente com a inspiração das estagiárias daquele ano: "A Nova Estação"!
          Anny Carolini de Souza Gonçalves Raysel, Eva Natalina Paz Seifert, Jaqueline Tesser, Patrícia Paz  Seifert  e Carolina Aparecida Ferreira(esta última substituindo Carla Roberta de Jesus Vicente que não compareceu à atividade) também foram muito felizes, tanto no ensaio como na apresentação (reapresentação!)...
      A terceira apresentação foi a encenação dançada de uma canção homenageando todas as formas de artes (destacando-se a performance dos palhaços), ensaiada pela colega professora Maria Ampessam. Agradeço o empréstimo das roupas de palhaços por esta providenciada para as alunas que as utilizaram também como dois personagens da "Nova Estação".
        Finalmente,   destaco o palco,  enfeitado para este evento pelas já referidas alunas juntamente com a colega professora acima nomeada. Meu agradecimento por esta parceria, não precisei me preocupar com o cenário principal!

       Pude comprovar a validade e valor desta atividade de Estágio Curricular pelos risos das crianças, sua atenção  e participação nas três apresentações.

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Crônica Pequena


 Momento Religioso
    Nas ruas próximas do pequeno templo, entre tantos em honra e fé à querida Nossa “Cida”, os romeiros festejam... Também ouve-se o chamado dos malabaristas da sobrevivência prometendo o impossível:
      -Faça uma criança feliz, por apenas dois reais!
    Dentro da casa de oração, os fiéis participam da última missa no dia da padroeira . Lá de fora chegam os acordes do matinezão dançante. Mas a esperança e fé na Mãe é mais forte ...
     Próxima, onde as portas se abrem somente por dentro, uma Maria do povo estende sua mão com simplicidade. E Maria, Estrela de tantos, passa solenemente entre os orantes, abençoando-os através da simbólica imagem  de devoção católica. Mas também esta Maria de carne e osso lembra a outra Maria, como pálida lembrança do que é Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. 
    Imagem e gente , na tarde de 12 de outubro, fazem brotar palavrasvivas. Porque estar com Maria, Mãe de Deus e nossa, é estar nos braços da cálida mansidão da tarde que não é mais tarde mas ainda não se fez noite. Maria, como o poente, encontra-se no mistério do invisível visível e o dia nunca acaba de descobrir, nem anoitecer e noite conseguem esconder. Maria, simplesmente, mora no coração da gente!
(12 de outubro de 2000, Denise Ottonelli) 

sábado, 26 de setembro de 2009

Rotinas de Estágio do Quarto Magistério



O terceiro bimestre está findando...

Neste período rápido de dois meses (agosto/setembro), descontado o tempo no qual evitamos aglomerações e contatos próximos com crianças nas atividades de Estágio (gripe), realizamos importantes trabalhos de ensino e aprendizagem, tanto com crianças da Educação Infantil como das Séries Iniciais.


As estagiárias do quarto ano estão finalizando sua regência de aulas em turmas das Séries Iniciais. Destacaram-se pelo empenho no planejamento e desenvolvimento de aulas no ensino de conteúdos específicos propostos pelas professoras em cujas turmas estagiaram. Algumas distinguiram-se pelo enfoque dado aos conteúdos utilizando-se de dinâmicas, brincadeiras e bom relacionamento estabelecido com as crianças. Outras esmeraram-se na utilização de recursos didáticos que oportunizaram o envolvimento dos alunos com a própria aprendizagem. Também cabe destacar a utilização das novas tecnologias: computador, internet, datashow, televisão, DVDs ou fitas VHS. Todas, porém, preocuparam-se em dominar os conhecimentos básicos, pela revisão de literatura e estudo, do que ensinariam em sua semana como professoras estagiárias. Muito têm ainda a aprender como condutoras do processo de ensinar e aprender em sala de aula e fora desta. Mas, como principiantes em sua escolha profissional, estão de parabéns! Parabenizamos a alegria, criatividade, pesquisa, empenho, responsabilidade, bom relacionamento com os profissionais mais experientes e com as crianças.



Aproveitamos para agradecer a todas as professoras das Séries Iniciais da E.E.B.Paulo Blasi pela participação direta na formação destas novas professoras; agradecemos também às tecnólogas da sala de informática, D. Elai, na cozinha e à acessora de direção respondendo interinamente pela direção da escola, Sra Ana Lúcia Thibes. E a todos, que de uma forma ou de outra , colaboraram para o bom êxito no início da vida profissional destas jovens professoras, especialmente crianças das turmas onde vivenciaram esta experiência.



Quanto à prática docente na Educação Infantil, queremos destacar as atividades em andamento nas creches municipais, tendo em vista que nos prés já foram realizadas no primeiro semestre. Nas aulas de Psicologia da Educação e Didática da Educação Infantil, temos priorizado o conhecimento sobre desenvolvimento  de bebês e o cuidado afetivo e educativo com estes na creche. Em outro momento, relataremos um pouco mais destas atividades.


Também nas aulas de Psicologia da Educação fizemos um estudo básico sobre as diferentes deficiências humanas, complementado pelo período de dez horas aulas de observação, conduzida pelos profissionais, educadores que atuam na APAE do nosso município. Segundo as estagiárias do quarto Magistério, foi essencial este contato com crianças, jovens e adultos deficientes, além daquele já vivenciado na E.E.B Paulo Blasi e ACADAV (Associação Camponovense de Apoio aos Deficientes Auditivos e Visuais). Nosso agradecimento, portanto, à equipe de profissionais e educadores da Escola de Educação Especial Menino Deus.


E continua o ano letivo ....,




sábado, 19 de setembro de 2009

Palavras para vocês

Dia 21 de setembro lembramos o dia da árvore. Busquei no livro "Bocas do Tempo", de Eduardo Galeano, uma historieta parecida com os sentimentos que sugerem tanto esta velha amiga, tão vorazmente consumida, diariamentente, pela humanidade inteira.

                    Árvore que recorda 
  Sete mulheres sentaram-se em círculo.
 De longe, da sua cidade de Momostenango, Humberto Ak'abal havia trazido para elas algumas folha secas, recolhidas ao pé de um cedro.
 Cada uma das mulheres quebrou uma folha, suavemente, contra o ouvido. E assim abriu-se a memória da árvore: 
 Uma sentiu o vento soprando junto à sua orelha.
 Outra, a fronde que, devagarinho, balançava.  
 Outra, um bater de asas de pássaros. 
 Outra disse que em sua orelha chovia.
 Outra escutou um bichinho qualquer que corria. 
 Outra, um eco de vozes.  
 E outra, um lento rumor de passos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Pensando Maneiras

Especialmente escrito para as alunas do 4º Magistério

Sugestões :
a)Para ter boas maneiras na comunicação e  convivência profissional não é necessário fingimento e nem "sinceras grosserias". Em nosso trabalho não podemos nos comportar como se estivéssemos em nossa casa ou em um local de lazer e descontração. Nem num divã de analista. Claro que o bom humor em nossas relações é melhor que atitudes queixosas que nos impedem de pensar e agir com mais desenvoltura. O bom humor favorece a superação de dificuldades de diferentes naturezas, até mesmo cansaço e dores, presentes em nosso dia a dia de estudo e trabalho. Quem opta por ser professora certamente sabe das exigências de leitura e aprofundamento constantes e do que abre mão para conseguir exercer sua função com qualidade. E que o difícil é desafio, sinônimo para ludicidade. Toda dificuldade superada torna-se logo experiência, facilitadora na superação dos novos desafios!
b)Nossa cotidianeidade  requer cordialidade, independente do status de poder conferidos a esta ou aquela função exercida por seres humanos semelhantes a nós.   Se as boas maneiras  são oferecidas somente a pessoas do  "interesse imediato", com empatia por nossas ações  ou por medo de retaliações daqueles que abusam de seu poder, haverá falhas com a  honestidade e democracia, qualidades  indispensáveis  na vivência  diária com o que mais nos humaniza: o trabalho! Mesmo sendo nosso trabalho, muitas vezes, não devidamente valorizado, é ele nossa base de sobrevivência. Sermos gratas, cumprimentarmos, olharmos para as pessoas, pedirmos desculpas, sempre que preciso; evitarmos comentários maldosos sobre a ação dos outros e "vingancinhas" pessoais são atitudes favoráveis a um clima mais saudável na escola. Se algo não vai bem no trabalho, é hora do diálogo franco, aberto, mas sempre conciliatório. O conflito é bem vindo, desde que permita a mudança para melhor. Escola é um espaço coletivo. Portando, rodas cordiais de conversa pedagógica são primordiais, não são perda de   tempo.
c)Boas maneiras verdadeiras são  impossíveis sem a beleza da ética, que não nos torna  fracos em nossa humildade e dignidade de sermos  o que somos, mas fortes na esperança de construirmos, através de nossa profissão, um mundo melhor além do básico pão nosso de cada dia com todos os direitos e deveres de um verdadeiro cidadão, não somente do "pão e circo"; o tempo de massa de manobra urge ser transformado  constantemente.
d)Cabe, então, pensarmos  o que entendemos por trabalho na escola? O que é trabalhar? Qual a melhor qualidade do trabalho? Em se tratando do profissional professor, o que define seu trabalho como qualificado adequadamente, além do saber pensar, fazer e ensinar enquanto aprende? Pensar também é considerado fazer? Comunicar-se é necessário para os professores ou é uma perda de tempo? Mais ou menos aulas; menor ou maior remuneração; dentro ou fora de sala de aula... Quem pode calcular a melhor qualidade educativa?  Quais os interesses por trás das ideologias sobre ser professor?

"A afetividade não se acha excluída da cognoscibilidade.O que não posso obviamente permitir é que minha afetividade interfira no cumprimento ético de meu dever de professor no exercício de minha autoridade. Não posso condicionar a avaliação do trabalho escolar de um aluno ao maior ou menor bem querer que tenha por ele" (Freire,1996).